sexta-feira, março 24, 2006

Tecendo noite em BH

Estrelas artificiais
se espalham
A cidade se estende
à frente
escala montanhas,
tantas
e tamanhas
Em meio ao escuro
mar
de pisca-piscas
reluzentes
como varais de luzes
ficam a
brilhar

Noite de nuvens no espaço
Noite de estrelas na Terra
em Beagá

Descanso

Descanso


no rádio
música
relaxa
hora após hora

o sono se perde
melodia sonora
hipnótica
se entranha
olhos se cerram
ao externo

no interno
adormecem


Vistas


Montanhas e montes
de Santo Antônio
e Belo Horizonte
são paisagens
que me encheram os olhos
da infância à maturidade

Me atraem a vista
e o pensamento
que busca superá-los
enxergar o que há de lá
A vida chega e continuo
a buscar asas para voar

Passeio de Domingo


do metrô se avista BH
e seus contrastes
aqui pequenas favelas
e seus trastes

ali prédios, janelas
e do Curral a serra
beirando a linha
plantas, cavalo, mato

represado o Arrudas
ribeirão contaminado
viadutos
via expressa
estação rodoviária

desço nesta e
sigo a pé
por ruas do centro
na direção do
horizonte, belo

Da Janela

Quando se acorda cedo
nesses tempos de inverno
pode-se alcançar
o despertar do dia

É tímido o sol, não urge
chega mais tarde
porém quando surge
atrás da Serra do Curral
há uma explosão de luz

cobre serra, prédios, vegetação
se descerra em manto
se conduz sobre os bairros
gera luz e sombra

forma um quadro móvel
natural obra de arte
que se vê em todo alvorecer
da janela

Capital Humanizada

Morar na capital
sentir-me no interior

Morar na capital
ser reconhecida
reconhecer
pessoas que passam
pelas ruas

cumprimentar e conversar
perguntar pela saúde da avó
pelo rendimento escolar do filho
dar notícias do senhor da esquina
que passou mal
mas já melhorou

Morar na capital
e encontrar a casa dos amigos
sem saber o número ou
o nome da rua

Morar na capital
e ter como referências
de localização
um sinal
( mais que mapas e plantas)
pessoas e lugares comuns:
mercado, farmácia
banca de revistas
a lanchonete onde
se faz suco de açaí
próxima ao Banco onde o gerente
se chama Jaci

Ainda é assim a BH dos mineiros
que se recusam a serem
engolidos e mecanizados
pela modernidade
na metrópole que cresce
ligeira

Mantêm a cidade
a serviço dos seres humanos,
faceira

Braços Abertos

Olha moço
que bela cidade
se descortina
à frente de nossos passos
Parece menina!

Depois da chuva
livre do pó
a cidade remoça

Veja as pessoas
caminhando
tranqüilas.

Não é dia de trabalho.
Alguns trabalham
ambulando
suas mercadorias
próximo à rodoviária.

Não há pressa
o dia é longo

Quase deserta
a cidade recebe
o visitante
e o habitante
que regressa
à capital
Belo Horizonte
recebe
de braços
abertos.

sábado, março 18, 2006

Ensinanças

Deixar que meu saber
apareça
e o outro
o conheça
Escutar do outro
o saber
entrelaçá-los
tecer
informes novos
meus e deles
Retornar com
outros saberes
num vai-vém
de aprender

Ausência

Não se presentifica
ausência
pelo olhar

Se faz presença
nas marcas internas
que insistem
marcar presença
da ausência

Resgate


Quero juntar meus pedaços
Encontrar a criança
No eu adulto
Lembrar e (re)agir
Aos medos
Às angústias
Aos mandatos
Às agressões

Quero juntar meus pedaços
E poder seguir inteira
Com todas as lembranças

Viagem

Desde criança
Me fascina viajar
E ver como me enganam
os olhos
A vegetação e o solo
Passam rápido por nós
E ficam
Presos ao lugar
Eu, parada, me movo
E vou à frente
Me movimento saindo
Sem sair do lugar

sexta-feira, março 17, 2006

SABER HIPERATIVO


Curiosidade
investigativa
ativa
percepção aguçada
criatividade aflorada
criança que
quer aprender

enquanto trabalha,
fala, fala... fala...
se esvazia de angústia?
interage
consigo mesma
fica/está
plena de saberes?

algo angustia essa criança?
perguntas
que quer fazer
adultos que
não querem escutar?

o que angustia essa criança?
saberes
que quer mostrar
escola que
não quer ver?

tem medos essa criança?
de passar despercebida
por famílias hiperativas
tempo contado
marcado
até para rir
brincar
ter lazer e aprender?

com o tempo todo
ocupado
o que menos têm é
tempo
para atender
à inteligência
ativa,


questionadora,
desperta
da criança em crescimento

que faz a essa criança
a escola que
-o quê-
lhe ensina?
a não dizer as perguntas?
a repetir
o adulto?
a não questionar
nosso mundo?

que faz essa criança?
se defende
hiperativa?
o que revela,
desvela?
a desatenção
do olhar adulto
a surdez
da nossa escuta?

Que sadia ela deve ser!

Pode
com a falta de atenção
e a hiperatividade
na escola
chamar a atenção
de quem pouco a vê
e escuta
tirar da comodidade
mudar as atitudes

Fases

Tenho fases de euforia
e fases de calmaria
ao traduzir, em poemas,
a poesia

Estou em descanso
atualmente
Minha mente está mansa
do que sente

Se o coração palpita
é na escrita em versos
que marco as batidas
desconexas

Recordo e
revivo em palavras
o que vivo


Março/2006

Relaxamento


Na página em branco
da revista
escrevi meu poema
A página em branco
um convite
não só ao instante
de relaxamento
um convite à mente aberta
desperta
Deixar sair
por breve momento que seja
a poesia interna
E, veja!! O pensamento
que se externa
na página em branco
da revista
se registra
se eterniza


Um sofá
uma casa
o silêncio
energia e tranqüilidade
pernas pro ar
nenhum compromisso
é fim de semana
estou só
e gosto disso

Incertezas


Há que mudar valores
para aceitar
o que me ofereces
Não é simples
como parece
ocultar os amores
Pode ser excitante
sentimentos
à flor-da-pele
sabor de proibido
estimulando a libido
Há um lado frustrante
com o qual ainda não lido
Manter para nós apenas
–um quê de mescenas –
que guarda paixão sentida
os seus ainda não são
os meus motivos

Palpitações

Palpitações

Vem nascendo
Adolescendo
Sentimentos
No corpo adulto

Vem crescendo
Pouco a pouco
Um novo amor

Vem brotando
Palpitantes
Emoções

Vem insônia
Conseqüência
Dessa excitação


MariaAngélica/Bilá

quarta-feira, março 15, 2006

Minha Foto


Maria Angélica Bernardes Santos

Enlace

Amigo que veio
enlaçado na poesia
tão longe o físico
tão próximo nos temas
que nos inspiram

As madrugadas nos encontram
teclando palavras
com força de expressão
leveza de dançarina
calor de inspiração

Através desses poemas
quem sabe se suporta
a distância, as ausências
de forma mais amena

Desejo-lhe muita força
que encontre a paz em você
a cada e em todo minuto
que possa distribuí-la
mesmos em doses diminutas

Há de fazer diferença