sexta-feira, maio 19, 2006

de Sirlei Passolongo

Se eu pudesse...

Ser vento
Tocar sua pele
Ser água
Molhar seu corpo
Ser perfume
Para lhe fazer companhia
Ser seu travesseiro
Saber dos seus segredos
Ser sua caneta
Ter-lhe entre os dedos
Ser a música
Embalar você.
Ser riso
E viver em seus lábios.
(Sirlei L. Passolongo)

quinta-feira, maio 18, 2006

de Isiara Caruso

Ampolleta

Los días pueden seguir naciendo,
las noches los siguen en muerte.
La muerte de las horas llenas,
siguen el compás del tiempo,
cortado en rebanadas,
por el reloj atento
a los segundos,
a los minutos
a las horas
a los días
y
así siguen
los hombres,
atentos al reloj,
que le separa en dos,
en tres, o en muchos más,
para nacer en cada aurora,
para morirse en fin a cada instante,
grano por grano con la arena que cae
lentamente llenando el tiempo que se agrieta.
Isiara Mieres Caruso

de Caetano Veloso

Cajuína
Caetano Veloso

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

de Sônia Prazeres

canto,voz,silêncio

Um tremor corre pelas ruas
Avenidas inseguras
Ruas destruídas
Um canto de pavor ecoa.
A violência ergue a voz
E o inocente se atordoa;
Sente o peso do cansaço
A cada dia que corre
Preferiria o silêncio
A esta triste toada
De um poder que mente.
Como saber de proteção
Quem não garante alimento
Saúde e educação?
A autoridade repousa no amor e na razão!
Jorram promessas ao vento,
Acumula-se sofrimento e desesperança
A pátria amada de braços estendidos
Pede colo, ...olhar aflito de criança.
Sônia Prazeres

quarta-feira, maio 17, 2006

de Ludiro


Chuva

A chuva
Que surra
Meu rosto
Faz-me lembrar
Quando brincava
Em suas poças
Ludiro
02/05/2006

de Angela Padilha

Justiça dos Homens
Ângela Padilha
O tiro ecoa ao longe
No céu brilham metais,
No chão alvos fatais
E choros incontidos...
Não foi Deus...
Não fui Eu...
Foram Eles...

No chão leitos de sangue
Abrigam corpos calados,
Uns civis, outros soldados...
E olhares sobreviventes
Oram a Deus...
Pedem por Mim...
Temem por Eles...

Seja eu a calar seu grito,
A cravar seu peito insano,
Fazer justiça ao desumano
E tomar de volta a paz
Que Deus quer...
Que Eu quis...
Que Me fez um deles...

Cidades refletem nas chamas
A história de cada menina
Sepultada nas ruínas,
Num ritual antigo
Que não é de Deus...
Nem Meu...
É dos Homens!

quinta-feira, maio 11, 2006

Otimismo




Otimismo

o meu olhar é tendencioso
se recusa a ver o ruim
descobre flores na lama
percebe beleza em sucata

ouve música no barulho
a minha escuta seletiva
percebe silêncio em ruídos
encontra encanto em arrulho

a ingenuidade da infância
o sonho da adolescência
a crença no adulto humano
o mundo não me tirou

vivo e vejo harmonia
busco e sinto equilíbrio
crepúsculo só no horizonte
nasço sempre a cada dia

Coragem

Coragem

Estar perdido
e procurar o rumo

Sentir saudades
e viver o presente

Enfrentar as verdades
sem temer os enganos

Encontrar-se imperfeito
aceitar-se e gostar do espelho

Poder se olhar
para se mostrar,
ser visto e ver-se

Surpreender nos encontros
cotidianos

Ao procurar o rumo
não se perder.

domingo, maio 07, 2006

Infância em SAMonte

Melado de rapadura
doce de leite
em tacho de cobre
mamão ralado ou cortado
sabores de infância
em Samonte
nas décadas de
cinqüenta e sessenta

Cachos de bananas
amadurecendo
devoradas às ocultas
por Davi e eu
em campeonatos infantis
Depois o castigo a dois
cumprido entre
risos escondidos
por saberem merecido
mas não arrependidos

Das ruas, nos quarteirões
veículos não tinham vez
eram crianças
correndo
pegando
jogando
gritando
sem censura de adulto
Pra dormir havia hora
no mais era como vento